Olha, escuta.

domingo, 1 de abril de 2012
Que senso horrível de ironia nos conseguimos ter, o sarcasmo sempre foi o diabo da nossa relação.

Mas sabe de tudo que ficou eu gosto de ter essa ilusão de que foi bom, mesmo que não tenha sido verdadeiramente assim. É verdade que não tem volta e nem concerto, mas não quero recomeços ou novas chances, juro que não. Não quero você de volta.


E é que ... Talvez eu ainda queria falar sobre isso, um ultima vez que seja, e em voz alta.

Adiar o fim sempre foi uma bela prova de amor, sem ironias. Eu reconheço tudo, sem resumos, sem falsa modéstia, você foi e soube ser excelente até onde pôde, até onde conseguiu respirar. E faltou tanto de mim, e tanto de você. Existe um protocolo a seguir? Quer dizer, eu devo me preocupar?

Esse tempo todo, e eu ainda não aprendi as regras básicas de um final feliz.



"Toda noite de insônia eu penso em te escrever, pra te dizer que teu silêncio me agride..."
(C.F)

"Acreditar na eternidade do amor é precipitar o seu fim. Porque você acha que esse amor agüenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo. Um grande amor não é possível e talvez por isso, é que seja grande, para que nele caiba o impossível.”
(Michel Melamed)



Fran, V.N.

Para além dos dias.

terça-feira, 20 de março de 2012

Assumo-me sem paixão nessa transição paralela.

Aquele momento entre não saber mais buscar amor em amores passados e não enxergar nada além pra amanhã. Enquanto isso, meu corpo transcende.
Não sei se as mudanças advêm das perdas ou se é apenas mais um capricho impensado, ou apenas conseqüências. Me prendo por mais um instante nessa tão desconhecida sensação de vazio.

Quem é sempre cheio de sentimentos e emoções sabe dá o valor devido ao nada, ao enxerga-se em estado de construção, aquela fase que nada foi dito nem feito, então não há nada além de você mesma e boas intenções que ninguém entende, nem compra.
Até o momento em você aposta todas as suas fichas novinhas em alguma coisa como um amor de domingo, ou um sonho que nasce em uma manhã de sol, então você se preenche de novo, aderindo sentimentos e passa a viver e a doer.

Doer inteira.

Assumo-me sem razões, sem vontade nenhuma de atravessar o calor o frio, as variações de humor, não sinto nada, não transmito nada, quero exatamente o nada.

Talvez isso dure mais um mês, ou só mais três ou quatro dias, nunca é duradouro, e ao invés de se lamentar por falta de alguma coisa, ouço uma musica que me faz sentir uma tristeza fininha de longe, mas feliz, e impar.

Até o próximo texto, até o dia em que eu vá acordar sem respirar, com sede de novo, no meu tão conhecido estado de intensidade de carregar tantos e quantos sentimentos me caberem.

Então até a próxima.


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa

Antes que tudo em tudo se transforme.


(Fernando Pessoa)

Francilene Villa Nova - Suri.
DoceNostalgia@hotmail.com
Francilene.suri@hotmail.com